05/04/2012
Estudar em universidades renomadas faz a diferença?
Estudar em universidades renomadas faz a diferença?
Diferente de muitas pessoas que ficam com aquela dúvida sobre qual
curso fazer, Tiago Vicari já sabe muito bem qual área vai seguir: Administração
de Empresas. Apesar de ter 17 anos, ele já se imagina coordenando áreas,
criando novas formas de pensamento para solucionar problemas, administrando bem
as finanças e, claro, desfrutando de uma boa remuneração. Porém, se a indecisão
não é na escolha do curso (comum a muitos jovens), o receio dele está em
escolher onde estudar. "Minha dúvida é saber se compensa fazer o curso em
faculdades menos famosas e se o mercado valoriza essas instituições",
comenta.
E o tema se tornou debate onde estuda. "Na verdade, o que faz
com que eu pense nisso é a forma como minha escola nos orienta sobre o assunto.
Segundo vários professores e as pessoas que trabalham lá, as melhores
oportunidades surgem quando se tem uma universidade 'com nome' no currículo",
declara Tiago
A preocupação dele não surgiu à toa. Muito se diz sobre o peso do
"nome da universidade" no currículo dos profissionais, mas você
saberia dizer o que há de realidade sobre o tema? Até que ponto o nome da
instituição de ensino pode influenciar a escolha dos recrutadores em uma entrevista?
Verdades e mentiras
Entrar e concluir uma formação profissional numa instituição de ensino superior no Brasil, de fato, não é para todos. Segundo o último levantamento da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas 11% da população brasileira com idade entre 25 e 64 anos têm ensino superior. O número, aliás, nos deixa no último lugar em um grupo de 36 países
ao avaliar a quantidade de graduados na população. E quando se
trata das universidades mais conceituadas, esse número de pessoas que consegue
o diploma é ainda menor.
O gestor de carreira da RH Capital, Sidney Alves, revela que o
nome da universidade influencia sim e, em alguns casos, é determinante na
decisão dos recrutadores em uma entrevista de emprego. "O ingresso em uma
universidade renomada exige um esforço maior para passar no vestibular devido à
maior dificuldade no teste. Além disso, o grau de exigência dessas instituições
é geralmente alto durante a graduação", explica Sidney.
Quando se trata de candidatos recém-formados ou ainda estudantes, o peso dessa escolha é mais acentuado. Jussara Dutra, gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional da Senior, explica que o tipo de vaga interfere. "Por exemplo, em programas de estágio e trainee, nos quais há pouca experiência profissional e a concorrência é muito acirrada, a formação em uma universidade de renome pode fazer a diferença, principalmente no que diz respeito a áreas técnicas", revela a consultora.
Mas quem acha que apenas estudar em uma universidade renomada será sempre um diferencial para concorrer no mercado está profundamente enganado. Especialistas em recursos humanos são unânimes ao afirmarem que, quando a vaga requer uma experiência específica, a maturidade profissional anterior conta mais na hora da escolha dos candidatos.
"Existe um consenso de que após cinco anos da formatura a experiência importa mais do que o nome da universidade. Mesmo que a instituição seja importante, a bagagem profissional do candidato vai influenciar mais na sua atuação. O perfil do candidato, outros conhecimentos e suas competências se tornam mais fundamentais", declara Sidney Alvez.
Para Luiz Edmundo Rosa, diretor nacional de educação da ABRH Nacional, com o tempo, nada substitui a prática do dia a dia e o perfil de competências que o profissional adquire. "Cada vez mais se reconhece que o importante na seleção de um candidato a emprego é medir suas competências, incluindo seus conhecimentos e potencial. Tudo aquilo que evidencie na pessoa seus valores, determinação, iniciativa, capacidade de inovar e de empreender".
Outros valores
Na busca de um "lugar ao sol" no mercado, outro fator
que colabora na conquista para uma vaga é o constante aprimoramento. "O
mercado muda muito e requer um profissional atualizado e com a qualificação que
o cargo exige. Para isso, pode ser considerado um diferencial o domínio de
outros idiomas, fazer uma pós-graduação ou MBA, participar de eventos e atuar
em associações e cursos de curta duração com foco específico", declara Jussara.
Mas para aqueles que ainda não possuem um currículo diferenciado e
querem conquistar uma oportunidade, Luiz Edmundo revela uma dica: "conta
muito o nível de preparação para a entrevista, em que a pessoa estudou bem a
empresa, conhecendo sua estratégia, planos de investimentos, produtos,
concorrentes, etc. Hoje essas informações estão disponíveis na internet e é só pesquisar".
Portanto, independente de você possuir um bom currículo ou um
ainda não tão bom assim, demonstrar sempre determinação, vontade e
personalidade nas tarefas exigidas são trunfos para te ajudar a ter mais
sucesso no presente e no futuro da sua carreira.
Fonte: Fábio Bandeira de Mello, www.administradores.com.br


















