Joey Reiman: “Desenvolver uma cultura de propósito permitirá às empresas brasileiras terem uma nova lente para olhar”

Comite Tematico

Nomeado pela Fast Company uma das 100 pessoas que vão mudar o jeito que o mundo pensa, Joey Reiman é considerado o pai do conceito de “Ideação”, e o maior especialista na área de liderança, marketing e inovação por propósitos. Ele vem ao CONGREGARH 2015 para esclarecer como o verdadeiro senso de propósito impacta na identidade da organização. Segundo o palestrante, o propósito direciona a empresa. “Desenvolver uma cultura de propósito permitirá às empresas brasileiras terem uma nova lente para olhar através da abordagem da criatividade, liderança e inovação, garantindo iniciativas de alinhamento e de defesa”.

Equipe Editorial: Como o senhor define propósito?
Joey Reiman: Mark Twain disse: “Os dois melhores dias da sua vida são aqueles em que você nasceu, e o dia em que você descobriu o porquê ter nascido”. Propósito é a razão distinta de existir a sua organização e o impacto positivo que você procura fazer no mundo. Não é à toa que Aristóteles chamou isso de: Whatness; Nietzche chamou de porquê; e a Disney chamou de magia. Quando você descobrir o seu propósito, você vai descobrir por que você está aqui. Com propósito o seu objetivo não é um trabalho ou uma carreira, mas uma vocação.

Equipe Editorial: Suas metodologias de estratégia foram aplicadas em grandes empresas do exterior. Elas se enquadram na cultura organizacional das empresas no Brasil? Por quê?
Joey Reiman: Eu tenho trabalhado em organizações pelo mundo para trazer propósitos para companhias como Carlsberg, Coca-Cola Company, Procter & Gamble e McDonald’s. Isso acontece todo o tempo em todos os mercados, incluindo o Brasil onde a BrightHouse trabalhou junto com a Havaianas. Ou seja, a minha metodologia se enquadra no mercado brasileiro. Entendo que é porque as pessoas de todos os locais têm uma necessidade humana fundamental de se sentir fazendo parte de algo grandioso. Pessoas anseiam por significados. Um exemplo disto é que podemos sobreviver 40 dias sem alimentos, quatro dias sem água, mas nossas mentes só sobrevivem 30 segundos sem significado. Os seres humanos são criaturas que tem sede de um propósito maior e, quando isso acontece, os funcionários são leais e apaixonados pelo o que fazem: o que se traduz em lucros.

Equipe Editorial: Qual a visão que o senhor tem do mercado de negócios no Brasil?
Joey Reiman: Se não estamos nos negócios para melhorar a vida, não há vantagem em estarmos nele. O Brasil tem a oportunidade de usar os negócios como uma força do bem, para resolver muitas necessidades complexas da sociedade, como baixo nível educacional dos brasileiros, a falta de profissionais qualificados, e da complexidade da legislação trabalhista brasileira, a fim de crescer o bem-estar econômico do país. Para ter esse impacto social no crescimento econômico e dos negócios, o Brasil deve começar com as pessoas – os funcionários que estão por trás do trabalho. Se as pessoas se sentirem fazendo parte de algo maior, logo trabalharão mais e melhor, também terão mais de uma conexão emocional com seus empregos e com as marcas para que prestem serviços. E isso funciona quando as empresas crescem com o crescimento das pessoas.

Equipe Editorial: Em qual estágio o país se encontra nas questões de criatividade, liderança e inovação?
Joey Reiman: Criatividade, liderança e inovação são habilidades que estão ao alcance de todos, mas esse potencial deve ser liberado. Desenvolver uma cultura de propósito permitirá às empresas brasileiras terem uma nova lente para olhar através da abordagem da criatividade, liderança e inovação, garantindo iniciativas de alinhamento e de defesa. Há espaço para crescimento nesses pontos citados.

Equipe Editorial: O que gostaria de antecipar de sua palestra no CONGREGARH 2015 para os participantes?
Joey Reiman: Vou pontuar questões sobre como tornar a empresa mais competitiva no mercado local. O objetivo é mostrar a força que pode transformar sua organização a criar uma história da marca de maneira emocional. Assim, haverá maior conexão da marca com os colaboradores, permitindo melhor cooperação. Ter objetivos facilita o alinhamento entre os colaboradores e torna-os defensores da marca. Quando uma empresa tem a base no propósito, ela consegue resultados financeiros mais elevados. As pessoas se tornarão defensoras das marcas que não são apenas de confiança, mas também representam algo maior. Isto não é responsabilidade social corporativa; é oportunidade social corporativa. Desta forma, se ganha dinheiro. Se a cultura e os valores regem a estratégia e a tática, então o que impulsiona a cultura e os valores? São os objetivos definidos que impulsionam. Assim, as empresas usam a lente do seu RH para transformar valores genéricos em linguagem autêntica e dinâmica. Isso feito, todos da organização, não só conhecerão os valores, viverão eles.

Equipe Editorial: Quando foi a sua primeira visita ao Brasil? O que mudou de lá pra cá?
Joey Reiman: Em 1969. Eu tinha 16 anos e fui ao Brasil com o meu pai em uma das suas viagens de negócios, e enquanto eu estava sentado nos ombros dele, eu assisti um homem, Neil Armstrong, pisar na lua, em uma pequena televisão em preto e branco em um bar em Fortaleza. Todos estavam comemorando e cumprimentando uns aos outros por um homem ter pisado na lua pela primeira vez. A história de Kennedy declarando em 1961 que, no final da década, um homem pisaria na lua é uma história de propósito. Os Estados Unidos estavam encarando uma oscilação na economia, desemprego era baixo, mas por que Kennedy olhou para “norte”, para a lua? É porque as pessoas, não apenas os americanos, mas pessoas ao redor do mundo precisavam de algo para acreditar, algo para reenergizar, inspirar e dar a eles uma causa para se acreditar. Desde então, o Brasil deu o primeiro passo para a Terra, para evoluir e aumentar a economia usando os negócios como sua força motriz.

Links sobre Joey Reiman:
thinkbrighthouse.com/who-we-are/our-leaders/joey-reiman/

www.linkedin.com/in/joeyreiman

questaodecoaching.com.br/2013/10/16/resenha-proposito/

twitter.com/joeyreiman

 

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